Na manhã de ontem, a minha querida Socorro virou um anjo e foi voar num céu azul cheio de passarinhos.
A Socorro foi fundamental na minha vida na época do meu mestrado. Ela e a dona Christa cuidavam de mim quando meus pais moravam em Araruama. A minha roupa estava sempre bem passada e perfumada; na hora do almoço, a Socorro sempre preparava um ovinho de gema dura, porque ela sempre soube que eu não como gema mole. O ovinho da Sô era perfeito, parecia até de enfeite, de tão bonito que era...
Outro dia, o Bruno, meu supercumpadre e amigo, me contou que a Socorro teve um avc. Levantou da cama e caiu em seguida. A mãe do Bruno, preocupada com o atraso, ligou para a casa dela, lá na Rocinha. A Socorro nunca tinha perdido a hora na vida. Quando conseguiu falar com a Letícia, a menina explicou que a mãe estava caída. A menina nem soube que a mãe já estava em estado semivegetativo no chão.
Todos estamos nos consolando, tentando acreditar que foi melhor para a Sô a partida. Nos últimos dias, estava no CTI do Miguel Couto, cheia de aparelhos. Se sobrevivesse, teria sequelas, provavelmente não poderia se alimentar mais, a não ser por sondas, e teria as duas pernas amputadas. Pelo menos partindo minha amiga pôde voar, protegendo a gente lá de cima.
Ficaram a Letícia e o Lucas, para a gente ajudar a cuidar. Tomara que um dia eu possa contar a eles que pessoa maravilhosa ela era, na sua presença mansa e constante.
E lá se foi de nós a Socorro, a única unanimidade inteligente que a gente conheceu.
...
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
Mundo Cão
Agora aqui em casa a gente tem uma cachorrinha, a Pet, uma bassezinha simpática que adora roer Havaianas (as legítimas). Eu e Johan, juntos, já tivemos um prejuízo nos chinelos. Agora, por precaução, só usamos genéricos.
A Pet tem esse nome em homenagem ao Petcovitchi (rio de nome difícil, não sei se escrevi certo), do Flamengo. Ela veio parar aqui em casa por conta do aniversário do Johan, que estava reclamando de solidão na casa nova. Na verdade, meu filho liga para a filhote bem menos do que eu; eu descobri que nasci para ter cachorro. Adoro a bichinha. Nem me incomodo de lavar a varanda todo dia para limpar as caquinhas dela. Descobri nela um carinho daqueles sem limites... Sabe quando se tem certeza de que alguém nos ama de verdade? Pois é.
A minha amiga Vani também resolveu comprar uma cadelinha, uma Lhaza Apso muito fofa, a Wendy. A cachorrinha é uma graça, parece um bicho de pelúcia que vai na bolsa para tudo quanto é lugar. Para falar a verdade, a Wendy se comporta melhor do que muita gente em lugares públicos.
A Vani comprou caminha rosa, lacinho e todas essas bobeirinhas que a gente vê na rua e tem vontade de comprar mesmo. Pagou na cachorrinha 500 reais, mais do que ela pagaria em um fogão novo. Não importa, mais vale um amor do que dinheiro no bolso.
Estive pensando na matemática da Wendy e acho que a Vani fez bom negócio. Ela dorme com a Vani na mesma cama, mas não tem hora de ir embora no dia seguinte, igual ao namorado da minha amiga. Não tem os filhos que ele tem, nem duas ex-esposas que não largam do pé dele. Está sempre disponível no fim de semana (inclusive hoje, quando a cachorrinha saiu conosco e deu de cara com o namorado da minha amiga com a primeira ex e os filhos num carro que "não teria lugar para mais ninguém", é mole?). Está agora aqui com a gente, enquanto preparamos as coisas das nossas aulas, esperando quietinha pelo seu bifinho canino, o qual ela ganha toda vez que faz xixi no lugar certo (acho que o namorado da minha amiga nem xixi no lugar certo faz, e ainda deixa a tampa do vaso levantada).
Enfim, a Wendy é só lucro.
(E a Vani precisa trocar de namorado, urgente!!!!)
A Pet tem esse nome em homenagem ao Petcovitchi (rio de nome difícil, não sei se escrevi certo), do Flamengo. Ela veio parar aqui em casa por conta do aniversário do Johan, que estava reclamando de solidão na casa nova. Na verdade, meu filho liga para a filhote bem menos do que eu; eu descobri que nasci para ter cachorro. Adoro a bichinha. Nem me incomodo de lavar a varanda todo dia para limpar as caquinhas dela. Descobri nela um carinho daqueles sem limites... Sabe quando se tem certeza de que alguém nos ama de verdade? Pois é.
A minha amiga Vani também resolveu comprar uma cadelinha, uma Lhaza Apso muito fofa, a Wendy. A cachorrinha é uma graça, parece um bicho de pelúcia que vai na bolsa para tudo quanto é lugar. Para falar a verdade, a Wendy se comporta melhor do que muita gente em lugares públicos.
A Vani comprou caminha rosa, lacinho e todas essas bobeirinhas que a gente vê na rua e tem vontade de comprar mesmo. Pagou na cachorrinha 500 reais, mais do que ela pagaria em um fogão novo. Não importa, mais vale um amor do que dinheiro no bolso.
Estive pensando na matemática da Wendy e acho que a Vani fez bom negócio. Ela dorme com a Vani na mesma cama, mas não tem hora de ir embora no dia seguinte, igual ao namorado da minha amiga. Não tem os filhos que ele tem, nem duas ex-esposas que não largam do pé dele. Está sempre disponível no fim de semana (inclusive hoje, quando a cachorrinha saiu conosco e deu de cara com o namorado da minha amiga com a primeira ex e os filhos num carro que "não teria lugar para mais ninguém", é mole?). Está agora aqui com a gente, enquanto preparamos as coisas das nossas aulas, esperando quietinha pelo seu bifinho canino, o qual ela ganha toda vez que faz xixi no lugar certo (acho que o namorado da minha amiga nem xixi no lugar certo faz, e ainda deixa a tampa do vaso levantada).
Enfim, a Wendy é só lucro.
(E a Vani precisa trocar de namorado, urgente!!!!)
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Resistência baixa
Ca-ra-ca, foi só escrever, pela manhã, que eu estava aqui, tentando dar conta dos doentes, que a coisa ficou mais frenética!!!
Agora, além do Rafa (A febre dele não abaixa!!!!) e da minha mãe (que não come mais, resolveu virar faquir!!!!), sou eu que estou baqueando. Já tive febre esta tarde, o que é RARÍSSIMO!!! Agora, meus olhos não param de arder e de lacrimejar...
Aos amigos blogueiros, que me acompanham à distância, já aviso que estou me desconectando temporariamente, até melhorar um pouco.
Rezas, mandigas e patuás são bem-vindos!!!
Agora, além do Rafa (A febre dele não abaixa!!!!) e da minha mãe (que não come mais, resolveu virar faquir!!!!), sou eu que estou baqueando. Já tive febre esta tarde, o que é RARÍSSIMO!!! Agora, meus olhos não param de arder e de lacrimejar...
Aos amigos blogueiros, que me acompanham à distância, já aviso que estou me desconectando temporariamente, até melhorar um pouco.
Rezas, mandigas e patuás são bem-vindos!!!
Pratos caindo no chão...
Na minha vida sempre foi assim: tudo acontece ao mesmo tempo agora.
Nesta semana, todo mundo resolveu ficar doente aqui em casa. Eu, com uma dor de garganta que nunca termina; minha mãe, que está dando defeito; o Rafa, com uma mega sinusite, com febrão desde sexta-feira e o Artur, coitado, que nunca fica bom da gripinha por causa desse tempo doido. Só sobrou o Johan, que já está reclamando de dor de ouvido também.
Para resumir, o Artur fica no meu colo o dia inteiro. Minha coluna foi pro espaço. O material das aulas e dos Congressos (ainda tem isso, participação em congresso e leituras pro Doutorado!!!!) eu preparo de madrugada. Às seis da manhã levanto para, nem contei aqui no blog ainda, tomar conta da cachorrinha Pet, a nova amiguinha do Johan.
Bem, agora posso dizer que a família (feliz) está completa: um casal, dois filhos, uma avó e um filhote. Que coisa mais família americana de subúrbio!!! rsrsrs
Percebi que não dá para equilibrar todos os pratos ao mesmo tempo. Assim, nos últimos dias, sacrifiquei meu trabalho para tentar recuperar minha voz e o fôlego. Nas próximas semanas, darei várias aulas extras nas faculs para repor minhas ausências. Onde eu pude, pedi aos amigos para repor minhas aulas. faço igual ao ditado: devo não nego, pago quando puder.
Campanha de presente de aniversário: Um dia no spa!!!
Nesta semana, todo mundo resolveu ficar doente aqui em casa. Eu, com uma dor de garganta que nunca termina; minha mãe, que está dando defeito; o Rafa, com uma mega sinusite, com febrão desde sexta-feira e o Artur, coitado, que nunca fica bom da gripinha por causa desse tempo doido. Só sobrou o Johan, que já está reclamando de dor de ouvido também.
Para resumir, o Artur fica no meu colo o dia inteiro. Minha coluna foi pro espaço. O material das aulas e dos Congressos (ainda tem isso, participação em congresso e leituras pro Doutorado!!!!) eu preparo de madrugada. Às seis da manhã levanto para, nem contei aqui no blog ainda, tomar conta da cachorrinha Pet, a nova amiguinha do Johan.
Bem, agora posso dizer que a família (feliz) está completa: um casal, dois filhos, uma avó e um filhote. Que coisa mais família americana de subúrbio!!! rsrsrs
Percebi que não dá para equilibrar todos os pratos ao mesmo tempo. Assim, nos últimos dias, sacrifiquei meu trabalho para tentar recuperar minha voz e o fôlego. Nas próximas semanas, darei várias aulas extras nas faculs para repor minhas ausências. Onde eu pude, pedi aos amigos para repor minhas aulas. faço igual ao ditado: devo não nego, pago quando puder.
Campanha de presente de aniversário: Um dia no spa!!!
terça-feira, 10 de agosto de 2010
O aniversário de Johan
Meu filho mais velho ontem fez 8 anos. Ganhou um playstation e muitas coisas do Flamengo. Teve festa na escola com bolo, refri, salgadinhos e muitos amigos, porque o Johan é um camarada muito popular. Sua festa seria numa pizzaria rodízio, mas não deu, porque não tinha espaço (nem grana da mãe) para chamar todo mundo.
Foi a primeira data em que eu reuni dois filhos numa festa de aniversário. O Artur foi prestigiar o irmão, mas não foi o protagonista desse momento. Acho que o Johan nem se deu conta, mas fazia muito tempo que ele não brilhava sozinho - desde que o irmão caçula nasceu, teve de aprender que coração de mãe se divide em quantos filhos tiver. E tem espaço para todo mundo.
Nas últimas férias de julho, tiramos uma noite para ir ao cimema. Vimos Toy Story 3 (que filme mais lindo!). Na hora em que o Andy foi doar os brinquedos para a garotinha, eu e Johan nos acabamos de chorar, e dividimos as mangas do seu casaco de moleton para enxugar nossas lágrimas. Compartilhamos também o embaraço de sairmos com a cara inchada e o nariz vermelho do cinema.
Aqui em casa, nem sempre eu tenho tempo de fazer o trabalho de casa junto, de dar banho, essas coisas, mas sempre que dá eu supervisiono as tarefas e dou faxina no ouvido e no umbigo. Tento compensar minha ausência lendo junto e colocando meu pequeno gigante para deitar. Quando a gente deita, é a maior farra, numa contação de história danada. Quase nunca a gente tem vontade de dormir, mas é preciso, né?
Meu último orgulho agora é que o Johan está aprendendo a ouvir as músicas de que gosto. Já sabe cantar "Eduardo e Mônica" e "Geração Coca-Cola" (esta ele até acha engraçada). Já apresentei para ele o Dire Straits, Engenheiros e Capital. Gostamos de cantar juntos, também, as músicas do Zeca Baleiro. Não se sabe quem é o pior inimigo do ritmo...
Vou sentir falta dos sete anos do Johan, mas estou adorando a fase dos oito também. Os tempos de hoje são bem diferentes daqueles do poeta (aquele do "Ai que saudade que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, dos tempos que não voltam mais"), mas ainda assim vai chegar uma época da gente dizer que "era feliz e não sabia".
Ainda bem que eu ainda tenho o Artur para me presentear com todas essas delícias de novo...
Foi a primeira data em que eu reuni dois filhos numa festa de aniversário. O Artur foi prestigiar o irmão, mas não foi o protagonista desse momento. Acho que o Johan nem se deu conta, mas fazia muito tempo que ele não brilhava sozinho - desde que o irmão caçula nasceu, teve de aprender que coração de mãe se divide em quantos filhos tiver. E tem espaço para todo mundo.
Nas últimas férias de julho, tiramos uma noite para ir ao cimema. Vimos Toy Story 3 (que filme mais lindo!). Na hora em que o Andy foi doar os brinquedos para a garotinha, eu e Johan nos acabamos de chorar, e dividimos as mangas do seu casaco de moleton para enxugar nossas lágrimas. Compartilhamos também o embaraço de sairmos com a cara inchada e o nariz vermelho do cinema.
Aqui em casa, nem sempre eu tenho tempo de fazer o trabalho de casa junto, de dar banho, essas coisas, mas sempre que dá eu supervisiono as tarefas e dou faxina no ouvido e no umbigo. Tento compensar minha ausência lendo junto e colocando meu pequeno gigante para deitar. Quando a gente deita, é a maior farra, numa contação de história danada. Quase nunca a gente tem vontade de dormir, mas é preciso, né?
Meu último orgulho agora é que o Johan está aprendendo a ouvir as músicas de que gosto. Já sabe cantar "Eduardo e Mônica" e "Geração Coca-Cola" (esta ele até acha engraçada). Já apresentei para ele o Dire Straits, Engenheiros e Capital. Gostamos de cantar juntos, também, as músicas do Zeca Baleiro. Não se sabe quem é o pior inimigo do ritmo...
Vou sentir falta dos sete anos do Johan, mas estou adorando a fase dos oito também. Os tempos de hoje são bem diferentes daqueles do poeta (aquele do "Ai que saudade que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, dos tempos que não voltam mais"), mas ainda assim vai chegar uma época da gente dizer que "era feliz e não sabia".
Ainda bem que eu ainda tenho o Artur para me presentear com todas essas delícias de novo...
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Retratos na parede
Mexendo numas coisas, achei rastros de uma Ana que há muito tempo eu não via.
São textos, fotos, cheiros, enfim, coisas que fizeram parte de um momento da minha vida que não existe mais.
Uma veia aberta que pulsa em mim esquecida.
Engraçado como a gente envelhece e vai achando que a vida é como um filme.
Tem coisa que parece que não é a gente, mas personagem de cinema.
Tem amigo que virou figurante.
Tem cenário de novela de Manuel Carlos.
Tem diálogos que a gente não consegue esquecer,
tem outros que a gente não consegue lembrar.
Às vezes, eu queria ter 17 e viver tudo de novo.
às vezes eu queria vestir fantasia e ver o mundo de fora.
quase sempre eu queria ter dito ao meu pai que ele estava certo.
Minha vida se tornou um retrato de parede que ainda dói.
E o pior é que nem sempre me reconheço no retrato...
OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO (DRUMMOND)
Os ombros que suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertam ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertam ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
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